Redução do IPI: verdade ou lenda?

No final do ano meu carro começou a dar alguns problemas. Como ele já é um idoso, está completando seus 17 anos de contribuição ao trânsito, pensei: pode ser uma boa hora para trocar.
Ultimamente vi várias notícias dizendo que as montadoras iriam quebrar, estavam despencando as vendas de carro, as concessionárias fazendo várias promoções e o governo até ajudando com incentivo a linhas de crédito e redução de imposto, o tal do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Resolvi verificar de perto. Conversei com meu pai, vimos que daria para tentar comprar um popular. A gente tentaria comprar o carro a vista e só iríamos fechar negócio depois que tivéssemos conseguido todas as vantagens possíveis do vendedor. Doce ilusão.
Fomos até a loja, pedimos para ver os preços e aí começaram as surpresas. Estavam praticamente iguais. Perguntei sobre a redução do IPI, o vendedor respondeu que já estava descontado do preço. Achei estranho, até que ele me revelou. Antes eles estavam dando desconto para vender o carro, com a redução do IPI, tiraram o desconto(!). Eu fui o ingênuo de achar que seria um desconto adicional? Ou foi o governo, por tentar incentivar o mercado enquanto os comerciantes continuam mantendo suas margens de lucro?
O resto é aquela velha história de vendedor dando vantagens. Como eu já tinha desanimado, nem negociei muito, mas tive que segurar a risada. Quando eu perguntei sobre o IPVA de 2009, ele me ofereceu o de 2008(!). Isso porque era dia 22 de dezembro. Depois sobre os acessórios, ele disse que me daria os tapetes(!). Nem isso mais vem de série. Quase perguntei quanto era o adicional pelos parachoques e vidros dianteiros.
Meu pai ainda tinha esperanças e falou que a ideia era comprar o carro à vista, se isso não ajudaria a reduzir o preço. Resposta: não. Para a empresa, é até melhor financiar. Será que ninguém lê jornal? A crise não surgiu em parte pelas pessoas que não pagaram seus financiamentos? Parece criança que não aprende e depois vai pedir ajuda para a mãe-governo.
Fiquei com o velho e bom Kadett 93. O mecânico apanhou para achar o defeito, tive que voltar lá para ajustes finais, mas o que importa é que agora ele está ótimo. Se quebrar novamente, pensarei com carinho no transporte público antes de voltar a uma concessionária.