Como revolucionar a educação
A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília recebeu hoje um comentário muito interessante do jornalista Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil. Levou-me a refletir sobre alguns pontos:
Até onde os interesses pessoais atrapalham o desenvolvimento da educação? A revolta da UnB foi motivada pela corrupção, abuso de poder do ex-reitor Timothy Mulholland ao desviar o dinheiro da pesquisa.
E os interesses políticos? Ocupação da reitoria e freqüentes greves no ensino público não podem ser consideradas pontuais. Os alunos de Brasília fizeram uma assembléia para discutir se continuariam lá e a reunião demorou mais de três horas. Discutiram diversos outros pontos junto com a decisão de permanecer ocupando. Depois ainda cobram eficiência do serviço público.
Para quem diz que os alunos só querem aparecer, eu concordo. Se fossem movidos realmente pelo interesse revolucionário de melhorar o ensino, não pediriam para revezar os alunos da ocupação. Cansaço e fome não desmotivaram os companheiros na ditadura, mas pelo jeito desmotivam os filhinhos de papai.
Sou contra esses tipos de revoltas. Concordo que para muitos problemas do nosso país não existe espaço para conversa, mas os injustiçados não sabem brigar. Brigam por interesses próprios ou por motivos que não justificam.
Sou a favor de criar soluções com o que se tem nas mãos. Ainda mais no Brasil onde não se pode contar com a ordem correta das coisas. Você confia que a educação irá receber mais verbas? Eu nunca acreditei nisso. O que fiz na época da faculdade? Participei da criação de uma empresa júnior, onde pude aprender e treinar a minha profissão.
Somente com boa vontade poderemos vencer a má vontade dos políticos. Se os professores são desmotivados, é errado os alunos se ajudarem para aprender? Se não tem dinheiro público para pesquisa, porque recusar com tanta convicção o dinheiro das empresas privadas?
A educação vai ser revolucionada quando perceberem que aprender é o objetivo principal.