Precisa lavar o lixo antes de separá-lo para reciclagem?
Essa é uma dúvida que ainda não conseguiram me responder. Afinal, lavar o lixo reciclável é melhor ou é só desperdício de água?
Procurei em vários lugares e as respostas são contraditórias. Os argumentos a favor da lavagem são basicamente para não atrair bichos. Não acho convincente. É mais fácil manter o lixo em lugar bem protegido. Tampar o cesto pode ser mais eficiente do que lavar cada pote de iogurte.
Gostaria de ouvir alguma empresa de reciclagem explicando os motivos de se lavar o lixo antes de descartá-lo. Afinal, o processo de reciclagem não inclui a limpeza dos materiais? Se já chegar lavado vai propiciar um melhor aproveitamento?
Já é difícil convencer as pessoas a separar o lixo. Pior ainda saber diferenciar o que é ou não reciclável. Ainda querem pedir para as pessoas lavarem? Isso só dificulta a conscientização, principalmente se não for tão necessário assim.
Se querem que a sociedade crie um novo hábito, que é o de separar o lixo, seria melhor já criá-lo da forma mais correta possível. Depois se descobrirem que lavar é um gasto desnecessário de água, vai ser difícil conscientizar todo mundo novamente.
Como você pretende viver nesse mundo?
Quais são os seus planos para o futuro? Eles devem incluir cursos, aquisição de bens, constituição de família. Os seus planos consideram que pode não existir um mundo para serem realizados?
As condições ideais em que vivemos podem acabar nos próximos 50 anos. E esse prazo é considerado por alguns como otimista. Se você planeja fazer um investimento para comprar sua casa em 20 anos, pense de novo. Em 20 anos você pode não estar mais interessado em ter um lugar para morar.
O alarme de pânico já está tocando e ninguém parece ouví-lo. Não, não é um treinamento de incêndio. É a realidade. A solução não será nenhuma mágica, mas uma completa mudança de atitudes.
Como já disse antes, não são pequenas economias caseiras que vão salvar o mundo. O problema está na forma como a nossa sociedade está estruturada. Um especialista em sustentabilidade avisou que precisamos começar a viver pensando em cooperação, não competitividade.
Cooperação com o ambiente significa pensar desde o desgaste que vai ter em termos de matéria-prima até a forma como será utilizado o lixo que se produz. É tentar criar sem destruir, mesmo que isso tenha um custo maior. Um mercado cooperativo está preocupado com a produção, não com altas margens de lucro.
Agora pense e me diga: você acha que a nossa sociedade está preparada para agir dessa forma?
Economizar recursos para salvar o mundo
Consumir menos água. Desperdiçar menos energia. Produzir menos lixo. Essas são as ordens do momento. O ser humano percebeu que está em dívida com o planeta e resolveu que o certo é não abusar dos recursos naturais.
Já disse outra vez nesse blog e volto a repetir: todas essas soluções domésticas só irão reduzir entre 5 e 10% os gastos em água ou energia e o impacto na produção de lixo será de igual ineficiência.
Os grandes gastos estão concentrados na indústria e no comércio. Eles necessitam muito mais de energia e água do que as residências. Existe uma maneira muito simples de diminuir estes gastos: reduzir a produção.
Não vejo nenhuma campanha dizendo para as pessoas comprarem menos. Afinal, se todas as pessoas tivessem atitude de consumidor consciente, a produção industrial cairia, o comércio poderia funcionar em horários reduzidos e os transportes por caminhão diminuiriam. Além de economizar energia e água, também teríamos menor produção de gases do efeito estufa.
Mas por que será que ninguém fala nisso? Porque os produtores não querem diminuir seus lucros. Apesar de incentivarem toda a população a reduzir seus gastos ao máximo para diminuir em 5% o uso dos recursos naturais, os empresarios nem pensam em reduzir seus ganhos para salvar nosso planeta.
Outro lado é uma possível crise econômica pela diminuição do consumo. Possível, não. Quase certa. Só que daí eu deixo a seguinte questão. Se a solução para salvar o mundo gerasse uma crise social, quem estaria errado: o mundo ou a sociedade?
