A existência do direito autoral tem muita relação com dinheiro. Ela existe para proteger lucros e evitar que outras pessoas lucrem com o trabalho de terceiros. Lógico que não é somente isso, mas a parte financeira tem grande parte na sua concepção.
Penso que precisamos buscar novas formas de arrecadar dinheiro com as obras culturais. Todo o processo de produção cultural lucrava apenas no final, na distribuição. Mas hoje em dia o custo para se distribuir uma obra é muito menor. Não justifica mais cobrar 30 reais por um CD que poderia ser distribuído por muito menos. O problema é que ficou difícil bancar todo o processo com o recente barateamento da distribuição.
A indústria cultural deveria distribuir a arrecadação por todo o processo ou buscar novas formas de pagar a produção. As editoras cobrariam do autor a produção do livro, as gravadoras teriam participação sobre os shows de seus músicos, aumentariam o merchandising em produções televisivas.
Para vencer a pirataria na internet é preciso mais criatividade do que guerra. O próprio crescimento do Creative Commons prova isso. Tem muita gente mais interessada em ser lida/vista/ouvida do que ficar presa às limitações dos direitos autorais. Imagina uma série como Lost distribuída em Creative Commons com alguns personagens usando roupas de uma marca patrocinadora? Tenho certeza que essa marca não iria ligar tanto para a distribuição pela internet.
Esse post foi inspirado pelo curso de Web 2.0 que estou fazendo pela FGV Online.
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O imposto do cheque já é amigo íntimo desse blog. Afinal, é o terceiro post que dedico à famosa contribuição que ninguém consegue sonegar. Estava até com uma certa saudade e achava estranho poder movimentar meu dinheiro sem ter que pagar por isso.
Inventaram um projeto que agora se chamará Contribuição Social para a Saúde (CSS) e será encaminhado amanhã para a Câmara. Fico impressionado com tudo é rápido quando interessa ao governo. A CPMF se despediu da gente em janeiro e sua descendente aparece em menos de nove meses. Esse novo projeto não será mais hipócrita e terá características de permanente.
A nova contribuição é de "apenas" 0,1% (contra os 0,38% da antiga), mas deve gerar um volume de 10 bilhões ao ano para os cofres do governo. Será que vai tudo para a saúde? O tributarista Ilan Gorin me disse que nem tem como medir, afinal gasta-se muito mais com saúde em nosso país. Agora, se vão investir 10 bilhões a mais, duvido.
É muito estranho tudo isso. Primeiro votam para acabar com uma, para depois criar outra. Obviamente um jogo político. Ainda dizem que essa nova terá fins fiscalizatórios, o que é uma mentira. Com o fim da CPMF os bancos ficaram obrigados a repassar para a Receita toda a movimentação financeira dos clientes. Você sabia disso? Eu também não. Sorte que não somos americanos, senão seria uma afronta a privacidade. Como aqui é Brasil, não tem qualquer problema a Receita saber todas as movimentações que eu faço.
Sem contar que o Brasil teve arrecadação recorde em impostos, mesmo sem a contribuição automática. Em outras palavras: dinheiro não é o que falta para o Governo. Pra que então precisam de mais 10 bilhões? Conto com a criatividade de vocês para responder essa pergunta.
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