Futuro fim da meia-entrada. Finalmente.
Existe um projeto de lei que irá limitar bastante a venda de meia-entrada. Já recebi e-mail revoltados de estudantes preocupados com o fim do benefício. E os outros milhões de não estudantes que estão pagando o dobro do preço justo?
Se for aprovada, não existirá mais a meia-entrada nos cinemas aos finais de semana. No caso de shows, ficará sem o benefício de quinta a sábado. No caso do cinema, é até possível ir nas sessões durante a semana. Agora, para shows é meio estranha a restrição, já que não se tem muitos shows no começo da semana.
A lei também pretende padronizar a carteira de estudante em todo o território nacional. Isso visa impedir aquelas carteirinhas alternativas que não possuíam tanta fiscalização. Também achei estranho, porque já vi carteirinha oficial da UNE na mão de não-estudante.
Finalmente, a parte inteligente da lei: repassar a outra metade do ingresso para os cinemas e organizações de eventos. Até hoje, eles simplesmente deixavam de arrecadar meio ingresso para cada estudante. Não tinha benefício fiscal, repasse de recursos, nada. E ainda obrigavam a cobrar somente meia-entrada.
Sou bastante favorável a lei. Os shows e cinema praticamente dobraram de preço nos últimos anos. Afinal, as organizações declararam que em torno de 80% dos ingressos vendidos, são de meia-entrada. Sem qualquer ressarcimento do governo, fica difícil manter o espetáculo.
Discordo de alguns pontos, como a questão da carteira padronizada. Ao invés de ser um documento oficial, eu imaginaria até um RG para jovens, não é nada disso. Vai continuar sendo a carteirinha da UNE e vão continuar cobrando uma taxa por ela. O benefício de meia-entrada não é por que os estudantes não têm renda para pagar os eventos? Então como eles podem pagar pela carteirinha? O monopólio do benefício pela UNE é um absurdo.
As restrições de final de semana poderia ser substituída por uma limitação na meia-entrada. Algo em torno de 30% do total de ingressos, conforme sugestão dos próprios empresários. Preferiram limitar os dias, mas duvido que a lei seja aprovada com essa restrição.
Para terminar, fiquei impressionado com a revolta dos estudantes. Chega a ser irônico, principalmente quando vejo esses mesmos revolucionários criticando planos de benefícios como Bolsa-Família. Esmola é esmola, não importa para quem se está dando. E eu sou contra.
Mais informações sobre essa lei podem ser vistas nessa ótima reportagem da Claudia Andrade: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/10/31/ult5772u1301.jhtm
Quer acabar com a corrupção? Acabe com o dinheiro
Prenderam alguns fiscais envolvidos em uma máfia que cobrava propina de camelôs na região do Brás, em São Paulo. Pagava-se uma taxa para eles fingirem que não viram nada irregular na região. Confesso que não fiquei surpreso, mas o triste é saber que isso é comum em todo o país.
Outro dia, num jantar, o assunto era dinheiro. Aquele costume das lojas cobrarem 19,99, mas não darem o 1 centavo de troco. O Hugo brincou que hoje em dia não tem mais tanto problema. Usa-se tanto cartões de crédito e débito que poderíamos até acabar com o dinheiro. Pois eu acho que a brincadeira dele é uma solução prática e eficiente contra a corrupção.
Sem dinheiro não existiria essa coisa de cobrar propina. Como você vai dar 10 reais para um fiscal fazer vista grossa? Teria que pagar com cartão, mas isso poderia ser uma prova da corrupção. Resolveria diversos problemas, como policiais corruptos fazendo bloqueios no trânsito, políticos que oferecem dinheiro em troca de votos e até mesmo acabaria com os pedintes nas ruas.
Se for um pouco mais além, pode-se criar um sistema unificado entre bancos e Receita Federal, relacionando todos os débitos com os CPFs de quem gastou. Nem iríamos mais precisar preencher declarações anuais de imposto de renda(só pagar, infelizmente).
Os cartões são tão versáteis que poderia-se definir limites e dá-los de mesada aos filhos. Também existem os cartões do tipo smart, as novas formas de cobrar pelo celular. E por aí vai...
Alguém sabe de algum uso onde dinheiro em si seja realmente necessário? Não aceito argumento de que pessoas pobres não teriam acesso ao cartão, porque hoje em dia a moda é ter o cartão do Bolsa Família.