Olha a CPMF aí! Agora em nova embalagem.
O imposto do cheque já é amigo íntimo desse blog. Afinal, é o terceiro post que dedico à famosa contribuição que ninguém consegue sonegar. Estava até com uma certa saudade e achava estranho poder movimentar meu dinheiro sem ter que pagar por isso.
Inventaram um projeto que agora se chamará Contribuição Social para a Saúde (CSS) e será encaminhado amanhã para a Câmara. Fico impressionado com tudo é rápido quando interessa ao governo. A CPMF se despediu da gente em janeiro e sua descendente aparece em menos de nove meses. Esse novo projeto não será mais hipócrita e terá características de permanente.
A nova contribuição é de "apenas" 0,1% (contra os 0,38% da antiga), mas deve gerar um volume de 10 bilhões ao ano para os cofres do governo. Será que vai tudo para a saúde? O tributarista Ilan Gorin me disse que nem tem como medir, afinal gasta-se muito mais com saúde em nosso país. Agora, se vão investir 10 bilhões a mais, duvido.
É muito estranho tudo isso. Primeiro votam para acabar com uma, para depois criar outra. Obviamente um jogo político. Ainda dizem que essa nova terá fins fiscalizatórios, o que é uma mentira. Com o fim da CPMF os bancos ficaram obrigados a repassar para a Receita toda a movimentação financeira dos clientes. Você sabia disso? Eu também não. Sorte que não somos americanos, senão seria uma afronta a privacidade. Como aqui é Brasil, não tem qualquer problema a Receita saber todas as movimentações que eu faço.
Sem contar que o Brasil teve arrecadação recorde em impostos, mesmo sem a contribuição automática. Em outras palavras: dinheiro não é o que falta para o Governo. Pra que então precisam de mais 10 bilhões? Conto com a criatividade de vocês para responder essa pergunta.