Viva a burocracia!
Você já teve que assinar um recibo de um recibo? Eu tive. Aconteceu essa semana. Eu paguei o aluguel da garagem, entregaram-me um recibo e eu tive que assinar em um livro que tinha recebido o recibo. Genial!
Eu sempre achei que o recibo era um documento para provar que a pessoa havia pago. Porque também precisavam da minha assinatura? Para provar que eu havia pago? Mas eles já estavam com o meu dinheiro, do que mais precisavam?
Qual o cúmulo da burocracia? Assinar um recibo de um recibo. A burocracia existe para manter um controle, uma ordem e, mais importante, evitar a fraude. No entanto, parece que virou um controle automático, sem se pensar na necessidade de cada assinatura.
Uma vez me disseram: cada assinatura num processo é uma chance de haver corrupção. Acho que por isso que gostam tanto de burocracia. Para que agilizar o processo se pode ganhar um dinheiro extra no meio do caminho?
Quer acabar com a corrupção? Acabe com o dinheiro
Prenderam alguns fiscais envolvidos em uma máfia que cobrava propina de camelôs na região do Brás, em São Paulo. Pagava-se uma taxa para eles fingirem que não viram nada irregular na região. Confesso que não fiquei surpreso, mas o triste é saber que isso é comum em todo o país.
Outro dia, num jantar, o assunto era dinheiro. Aquele costume das lojas cobrarem 19,99, mas não darem o 1 centavo de troco. O Hugo brincou que hoje em dia não tem mais tanto problema. Usa-se tanto cartões de crédito e débito que poderíamos até acabar com o dinheiro. Pois eu acho que a brincadeira dele é uma solução prática e eficiente contra a corrupção.
Sem dinheiro não existiria essa coisa de cobrar propina. Como você vai dar 10 reais para um fiscal fazer vista grossa? Teria que pagar com cartão, mas isso poderia ser uma prova da corrupção. Resolveria diversos problemas, como policiais corruptos fazendo bloqueios no trânsito, políticos que oferecem dinheiro em troca de votos e até mesmo acabaria com os pedintes nas ruas.
Se for um pouco mais além, pode-se criar um sistema unificado entre bancos e Receita Federal, relacionando todos os débitos com os CPFs de quem gastou. Nem iríamos mais precisar preencher declarações anuais de imposto de renda(só pagar, infelizmente).
Os cartões são tão versáteis que poderia-se definir limites e dá-los de mesada aos filhos. Também existem os cartões do tipo smart, as novas formas de cobrar pelo celular. E por aí vai...
Alguém sabe de algum uso onde dinheiro em si seja realmente necessário? Não aceito argumento de que pessoas pobres não teriam acesso ao cartão, porque hoje em dia a moda é ter o cartão do Bolsa Família.
Como revolucionar a educação
A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília recebeu hoje um comentário muito interessante do jornalista Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil. Levou-me a refletir sobre alguns pontos:
Até onde os interesses pessoais atrapalham o desenvolvimento da educação? A revolta da UnB foi motivada pela corrupção, abuso de poder do ex-reitor Timothy Mulholland ao desviar o dinheiro da pesquisa.
E os interesses políticos? Ocupação da reitoria e freqüentes greves no ensino público não podem ser consideradas pontuais. Os alunos de Brasília fizeram uma assembléia para discutir se continuariam lá e a reunião demorou mais de três horas. Discutiram diversos outros pontos junto com a decisão de permanecer ocupando. Depois ainda cobram eficiência do serviço público.
Para quem diz que os alunos só querem aparecer, eu concordo. Se fossem movidos realmente pelo interesse revolucionário de melhorar o ensino, não pediriam para revezar os alunos da ocupação. Cansaço e fome não desmotivaram os companheiros na ditadura, mas pelo jeito desmotivam os filhinhos de papai.
Sou contra esses tipos de revoltas. Concordo que para muitos problemas do nosso país não existe espaço para conversa, mas os injustiçados não sabem brigar. Brigam por interesses próprios ou por motivos que não justificam.
Sou a favor de criar soluções com o que se tem nas mãos. Ainda mais no Brasil onde não se pode contar com a ordem correta das coisas. Você confia que a educação irá receber mais verbas? Eu nunca acreditei nisso. O que fiz na época da faculdade? Participei da criação de uma empresa júnior, onde pude aprender e treinar a minha profissão.
Somente com boa vontade poderemos vencer a má vontade dos políticos. Se os professores são desmotivados, é errado os alunos se ajudarem para aprender? Se não tem dinheiro público para pesquisa, porque recusar com tanta convicção o dinheiro das empresas privadas?
A educação vai ser revolucionada quando perceberem que aprender é o objetivo principal.