Livre.blog.br Opiniões de Sávio Ladeira

6jan/090

Redução do IPI: verdade ou lenda?

Dummies

No final do ano meu carro começou a dar alguns problemas. Como ele já é um idoso, está completando seus 17 anos de contribuição ao trânsito, pensei: pode ser uma boa hora para trocar.

Ultimamente vi várias notícias dizendo que as montadoras iriam quebrar, estavam despencando as vendas de carro, as concessionárias fazendo várias promoções e o governo até ajudando com incentivo a linhas de crédito e redução de imposto, o tal do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Resolvi verificar de perto. Conversei com meu pai, vimos que daria para tentar comprar um popular. A gente tentaria comprar o carro a vista e só iríamos fechar negócio depois que tivéssemos conseguido todas as vantagens possíveis do vendedor. Doce ilusão.

Fomos até a loja, pedimos para ver os preços e aí começaram as surpresas. Estavam praticamente iguais. Perguntei sobre a redução do IPI, o vendedor respondeu que já estava descontado do preço. Achei estranho, até que ele me revelou. Antes eles estavam dando desconto para vender o carro, com a redução do IPI, tiraram o desconto(!). Eu fui o ingênuo de achar que seria um desconto adicional? Ou foi o governo, por tentar incentivar o mercado enquanto os comerciantes continuam mantendo suas margens de lucro?

O resto é aquela velha história de vendedor dando vantagens. Como eu já tinha desanimado, nem negociei muito, mas tive que segurar a risada. Quando eu perguntei sobre o IPVA de 2009, ele me ofereceu o de 2008(!). Isso porque era dia 22 de dezembro. Depois sobre os acessórios, ele disse que me daria os tapetes(!). Nem isso mais vem de série. Quase perguntei quanto era o adicional pelos parachoques e vidros dianteiros.

Meu pai ainda tinha esperanças e falou que a ideia era comprar o carro à vista, se isso não ajudaria a reduzir o preço. Resposta: não. Para a empresa, é até melhor financiar. Será que ninguém lê jornal? A crise não surgiu em parte pelas pessoas que não pagaram seus financiamentos? Parece criança que não aprende e depois vai pedir ajuda para a mãe-governo.

Fiquei com o velho e bom Kadett 93. O mecânico apanhou para achar o defeito, tive que voltar lá para ajustes finais, mas o que importa é que agora ele está ótimo. Se quebrar novamente, pensarei com carinho no transporte público antes de voltar a uma concessionária.

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6out/081

Resposta ao “será que os americanos vão aprender…”

 

E a bolsa continua caindo...

E a bolsa continua caindo...

Adorei o comentário do meu amigo Wagão no artigo "Será que os americanos vão aprender com a crise". Devido ao ótimo conteúdo e elaboração do comentário, achei que ele merecia maior destaque e tomei a liberdade de publicá-lo como post próprio. No final, seguem meus comentários.

 

 Não concordo muito com este artigo. Tenho algumas considerações a serem feitas.

O crédito não é algo ruim, muito pelo contrário. O mercado de crédito é muito importante para a economia. Basicamente o crédito é uma forma justa de financiar projetos de risco remunerando os investidores por isso.

Por exemplo, uma pessoa que deseja adquirir um imóvel toma o crédito para realizar um projeto. Quem empresta é remunerado pelo risco da pessoa não pagar, morrer, entre outras coisas. No mundo corporativo isso funciona de maneira mais generalizada. Nenhuma empresa global se tornou assim sem crédito. Em algum momento elas precisaram se alavancar para financiar o crescimento.

Após a segunda guerra, devido ao tratado de Bretton Woods o mundo passou a poder viver alavancado, isso gerou uma prosperidade nunca antes vista. Fora alguns solavancos a economia foi muito bem. O liberalismo econômico cada vez mais é demonstrado como a melhor escolha racional (isso é polêmico, pode ser questão de outro post). Porém esta crise que vivemos não é uma questão de ganância desenfreada, ou então um problema do liberalismo econômico, per se. Este problema ocorre pois os mecanismos de mercado se mostraram ineficientes em mensurar um tipo de risco de um produto de risco novo (os famosos derivativos de crédito, objeto da crise do subprime). Esta crise que estamos vivendo é um dos ajustes do capitalismo, em qualquer outro regime teríamos ajustes semelhantes.

Devido estes argumentos não considero justa a demonização do crédito. Afinal, devemos, sempre, considerar que as pessoas sabem escolher o que é melhor para si mesmas. Ou seja, um cidadão que compra um armário no crediário, por mais que pague taxas surreais, ele tomou a melhor decisão para ele mesmo. (Aqui também é um ponto polêmico, onde poderemos discutir sobre a formação, informação, etc.) Mas no fundo, o crédito é o melhor veículo de inclusão social, já que as pessoas hoje possuem acesso a veículos, imóveis e bens que não possuiam a 20 anos.

A segunda parte é que este pacote não é para “aliviar” os bancos para eles voltarem a aquecer a economia. O Lehman Brothers é um exemplo de que o FED não possui intenções de salvar nenhuma instituição em particular. O que o FED está tentando fazer é com que o sistema bancário não quebre, o que causaria um efeito como o da crise de 1929. Na verdade este plano é para aumentar a liquidez do mercado e não causar a quebradeira geral. Bom, essa parte é um pouco mais complexa de ser entendida, mas em linhas gerais o estouro da bolhas dos subprimes fez com que os derivativos de crédito perdessem a liquidez, isto é, apesar deles valerem algo, pois muitas vezes possuem garantias reais (como casas) ou serem securitizados (daí a importância da operação de salvamento da AIG), ninguém mais quer comprá-los. Então, os bancos que possuiam grande exposição não conseguem transformar estes títulos em dinheiro. O pacote servirá justamente para garantir esta liquidez no mercado.

Acho, inclusive, que o título dele embute um pouco do revanchismo e também da mentalidade de que os ricos ficam ricos à custas dos outros. Não, ao meu ver os Estados Unidos não são ricos por estraçalharem os pobre. (Terceiro ponto de polêmica)

De resto, continuamos nossa discussão aqui!

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11jul/084

Quer acabar com a corrupção? Acabe com o dinheiro

Prenderam alguns fiscais envolvidos em uma máfia que cobrava propina de camelôs na região do Brás, em São Paulo. Pagava-se uma taxa para eles fingirem que não viram nada irregular na região. Confesso que não fiquei surpreso, mas o triste é saber que isso é comum em todo o país.

Outro dia, num jantar, o assunto era dinheiro. Aquele costume das lojas cobrarem 19,99, mas não darem o 1 centavo de troco. O Hugo brincou que hoje em dia não tem mais tanto problema. Usa-se tanto cartões de crédito e débito que poderíamos até acabar com o dinheiro. Pois eu acho que a brincadeira dele é uma solução prática e eficiente contra a corrupção.

Sem dinheiro não existiria essa coisa de cobrar propina. Como você vai dar 10 reais para um fiscal fazer vista grossa? Teria que pagar com cartão, mas isso poderia ser uma prova da corrupção. Resolveria diversos problemas, como policiais corruptos fazendo bloqueios no trânsito, políticos que oferecem dinheiro em troca de votos e até mesmo acabaria com os pedintes nas ruas.

Se for um pouco mais além, pode-se criar um sistema unificado entre bancos e Receita Federal, relacionando todos os débitos com os CPFs de quem gastou. Nem iríamos mais precisar preencher declarações anuais de imposto de renda(só pagar, infelizmente).

Os cartões são tão versáteis que poderia-se definir limites e dá-los de mesada aos filhos. Também existem os cartões do tipo smart, as novas formas de cobrar pelo celular. E por aí vai...

Alguém sabe de algum uso onde dinheiro em si seja realmente necessário? Não aceito argumento de que pessoas pobres não teriam acesso ao cartão, porque hoje em dia a moda é ter o cartão do Bolsa Família.

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1abr/080

O que será que tem na fatura do cartão do Lula?

Como já virou mania na internet, o dia primeiro de abril é voltado para notícias falsas criando um clima de descontração na rede. É interessante também pela repercussão que gera as mentiras mais bem criadas.

Por isso, hoje acho que seria um ótimo dia para divulgar a fatura do cartão corporativo do nosso presidente. Eu confesso que gostaria de caçar os comentários e repercussões referentes a essa fatura.

Lógico que teriam aqueles que sacariam logo de cara a brincadeira, mas o divertido do primeiro de abril é aquele que cai na mentira. Por mais absurda que fosse a tal fatura, muita gente acreditaria que ela seria verdadeira. Tente imaginar um item que seja mais esquisito do que a tal tapioca que gerou muita confusão? Agora, seja sincero e me responda: você realmente acha que o Lula seria incapaz de comprar tal item?

O mais irônico de tudo seria amanhã ver as notícias revelando que a fatura era realmente verdadeira.

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