Banhos demorados engordam? Bem que podia ser verdade.
Se realmente descobrissem que banhos acima de 10 minutos engordam, como você acha que seria a reação pública? Ia ter inclusive pessoas deixando de tomar banho para ver se emagrecem e haveria economia sem grandes debates. Infelizmente ainda não é verdade.
Antes de continuar a ler esse post, leia o Economizando não só em casa, onde o Hugo mostra onde se deveria realmente economizar água.
Além do gasto residencial ser uma parcela muito pequena, as campanhas para economizar água e energia não causam grande comoção. Pelo menos eu não me sensibilizo tanto em saber que uma torneira pingando traz um gasto de 46 litros de água por dia. É muito? Assusta? Sim, mas não toca no meu íntimo nem me faz sentir orgasmos.
Mas se descobrissem que mais que 5 minutos de água quente no corpo humano causa envelhecimento precoce, a história muda um pouco. Ou ainda que a torneira pingando aumenta a chance de doenças respiratórias pelo excesso de umidade. A vaidade, a preocupação com a saúde dos filhos e o peso no bolso. Isso sim toca o íntimo de muitas pessoas.
Essa campanha do xixi no banho também é interessante. Muita gente já fazia isso, mas não tinha coragem de assumir. Uma questão de vaidade. Agora, com a campanha dando esse apoio, as pessoas terão orgulho de assumir o ato.
Existem anos de estudo em psicologia humana que deveriam ser usados nessas ocasiões. Sobre as descobertas, conseguem provar cada coisa impossível que não deve ser tão difícil relacionar banhos demorados com o aumento da gordural corporal.
Resposta ao “será que os americanos vão aprender…”
Adorei o comentário do meu amigo Wagão no artigo "Será que os americanos vão aprender com a crise". Devido ao ótimo conteúdo e elaboração do comentário, achei que ele merecia maior destaque e tomei a liberdade de publicá-lo como post próprio. No final, seguem meus comentários.
Não concordo muito com este artigo. Tenho algumas considerações a serem feitas.
O crédito não é algo ruim, muito pelo contrário. O mercado de crédito é muito importante para a economia. Basicamente o crédito é uma forma justa de financiar projetos de risco remunerando os investidores por isso.
Por exemplo, uma pessoa que deseja adquirir um imóvel toma o crédito para realizar um projeto. Quem empresta é remunerado pelo risco da pessoa não pagar, morrer, entre outras coisas. No mundo corporativo isso funciona de maneira mais generalizada. Nenhuma empresa global se tornou assim sem crédito. Em algum momento elas precisaram se alavancar para financiar o crescimento.
Após a segunda guerra, devido ao tratado de Bretton Woods o mundo passou a poder viver alavancado, isso gerou uma prosperidade nunca antes vista. Fora alguns solavancos a economia foi muito bem. O liberalismo econômico cada vez mais é demonstrado como a melhor escolha racional (isso é polêmico, pode ser questão de outro post). Porém esta crise que vivemos não é uma questão de ganância desenfreada, ou então um problema do liberalismo econômico, per se. Este problema ocorre pois os mecanismos de mercado se mostraram ineficientes em mensurar um tipo de risco de um produto de risco novo (os famosos derivativos de crédito, objeto da crise do subprime). Esta crise que estamos vivendo é um dos ajustes do capitalismo, em qualquer outro regime teríamos ajustes semelhantes.
Devido estes argumentos não considero justa a demonização do crédito. Afinal, devemos, sempre, considerar que as pessoas sabem escolher o que é melhor para si mesmas. Ou seja, um cidadão que compra um armário no crediário, por mais que pague taxas surreais, ele tomou a melhor decisão para ele mesmo. (Aqui também é um ponto polêmico, onde poderemos discutir sobre a formação, informação, etc.) Mas no fundo, o crédito é o melhor veículo de inclusão social, já que as pessoas hoje possuem acesso a veículos, imóveis e bens que não possuiam a 20 anos.
A segunda parte é que este pacote não é para “aliviar” os bancos para eles voltarem a aquecer a economia. O Lehman Brothers é um exemplo de que o FED não possui intenções de salvar nenhuma instituição em particular. O que o FED está tentando fazer é com que o sistema bancário não quebre, o que causaria um efeito como o da crise de 1929. Na verdade este plano é para aumentar a liquidez do mercado e não causar a quebradeira geral. Bom, essa parte é um pouco mais complexa de ser entendida, mas em linhas gerais o estouro da bolhas dos subprimes fez com que os derivativos de crédito perdessem a liquidez, isto é, apesar deles valerem algo, pois muitas vezes possuem garantias reais (como casas) ou serem securitizados (daí a importância da operação de salvamento da AIG), ninguém mais quer comprá-los. Então, os bancos que possuiam grande exposição não conseguem transformar estes títulos em dinheiro. O pacote servirá justamente para garantir esta liquidez no mercado.
Acho, inclusive, que o título dele embute um pouco do revanchismo e também da mentalidade de que os ricos ficam ricos à custas dos outros. Não, ao meu ver os Estados Unidos não são ricos por estraçalharem os pobre. (Terceiro ponto de polêmica)
De resto, continuamos nossa discussão aqui!
Será que os americanos vão aprender com a crise?
Não há dúvidas que o grande assunto do momento é a crise da economia americana, mesmo que a maioria das pessoas não saiba exatamente o que ela representa. Nem mesmo os grandes economistas conseguem prever o que irá acontecer, talvez por isso que nosso presidente sempre declare que ela não afetará o Brasil.
Já está afetando. E não só as bolsas. Quem quiser entender um pouco da crise, recomendo essa reportagem do G1 que fala sobre o pacote aprovado ontem pelo Senado americano: Bovespa aprofunda queda de olho em nova votação nos EUA.
Para quem ainda está confuso, vou explicar com as minhas palavras. Essa crise atinge todos os americanos que possuem dívidas. Aliás, americano com dívida é um pleonasmo. Os valores dos empréstimos cresceram de forma absurda, impossibilitando-os de pagar. Os bancos começaram a ficar sem dinheiro e a bola de neve foi se formando. Esse pacote do governo dos EUA pretende ajudar os bancos a não falirem.
E o Brasil? Além dos americanos com dívidas, a crise atinge todos aqueles que possuem dívidas com os bancos americanos. E todos aqueles que possuem dívidas com quem emprestou dinheiro dos americanos. Se você tem qualquer financiamento, mesmo uma compra em três vezes no cartão, você se encontra nesse grupo. Se você não tem empréstimo nenhum, faz parte de uma minoria brasileira que infelizmente depende de empresas que fizeram empréstimos para lhe prestar serviços fundamentais. Energia, água, telefonia etc.
Entendeu como não tem jeito de fugir da crise? Só resta esperar que contenham seus efeitos logo com soluções mais inteligentes do que esse novo pacote. Afinal, o objetivo dele é aliviar os bancos para que eles possam voltar a aquecer a economia. De que forma? Oferecendo mais financiamentos e empréstimos. Só quero ver se os devedores não pagarem novamente.


