Quem disse que ENEM é vestibular?
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma prova criada pelo Ministério da Educação do Brasil no ano de 1998 como uma ferramenta de avaliar a qualidade geral do Ensino Médio no país.
Vestibular designa o processo de seleção de novos estudantes empregado pelas universidades.
Essas definições foram retiradas da Wikipedia. Alguém discorda? Eu não. Então porque inventaram que um exame que avalia a qualidade de ensino pode ser usado como método de seleção de candidatos?
Tem alguma coisa errada aí. A minha opinião é que o governo quer valorizar o ENEM e para isso quer fazer dele um vestibular. Mas nem nesse sentido eles foram capaz de criar uma lei coerente.
Existe uma brecha nesse projeto de lei que faz do ENEM ter a mesma importância de sempre: se alguma universidade achar necessário, pode fazer uma prova complementar para a seleção de seus alunos. Isso já não era o vestibular como sempre foi?
Os caras só trabalham três dias por semana e ainda fazem tudo de qualquer jeito? Sempre que eu tento entender as decisões de nossos governantes, só consigo ter mais certeza de que nosso país não tem jeito.
E-book: experimentei e gostei
O livro e o celular
Recentemente troquei de celular, finalmente peguei o meu primeiro smartphone, o Palm Centro. Logo após testar suas principais funções, instalar diversos programas e até mesmo pegar um vírus, resolvi experimentar o tal do livro eletrônico.
Quis começar com uma leitura leve, por isso escolhi o Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Tinha acabado de ver o filme e apostei que seria uma boa leitura. Peguei emprestado o livro do meu pai, baixei uma versão em PDF e coloquei uma versão em DOC no celular.
Eu já tinha lido versões em PDF no computador antes e achei bastante agradável. Agora, confesso que preferi muito mais a leitura no pequeno aparelho. Eu gosto de ler na cama e ele se provou ser extremamente prático. Consigo segurá-lo com apenas uma mão, não cansa o braço por ser leve e ainda tem luz própria, dispensando a luminária.
Não tive problemas de cansaço na vista como já li relatos de quem testou o e-book. A fluência é bem interessante, é só ir apertando o botão que as páginas vão trocando. É muito mais fácil se envolver na leitura e não perceber as horas passando. E ainda tem a opção eletrônica de marcar as páginas.
Eu acredito que a literatura no formato eletrônico terá um futuro muito promissor. O governo pretende dar notebooks para os alunos e esses vão crescer totalmente adaptados à leitura na tela. O problema agora é convencer as editoras e os autores de que publicar na internet pode ser um bom negócio.
Por que os salários dos professores são tão baixos?
Essa é uma questão muito antiga e nem por isso ainda tem uma resposta. Os professores, aqueles que ensinam toda a sociedade, deveriam ser pessoas que possuem mais conhecimento em sua comunidade e com grande motivação e paciência para passar seus conhecimentos. Nossos professores têm tudo isso, só falta o reconhecimento.
Essa classe trabalhadora deveria ser almejada por todos. Ser professor deveria ser o sonho de todo grande profissional, deveria ser o reconhecimento de sua capacidade intelectual. Quem dera esses cargos fossem disputados. Pelo contrário, possuem uma grande carga de preconceito. Ser professor no Brasil e em muitos outros lugares do mundo é um ato de amor.
Foi aprovada esse ano uma lei que define um piso salarial de 950 reais para os professores de todo o país. Ainda é injusto, mas já é um começo. Se pensar que o salário mínimo brasileiro é menor que a metade desse piso, pode ser que em algumas regiões o cargo de professor seja sinônimo de status social e financeiro.
Incentivar o professor a fazer o seu trabalho é a única forma de transformarmos a educação de estatística para uma educação de verdade.
A lei citada é a nº 11.738, de 16 de julho de 2008, com redação do Senador Cristovam Buarque.
Esse post participa do Blog Action Day 2008 sobre o tema Pobreza. Como hoje também é o Dia do Professor, aproveitei essa infeliz coincidência.
Adolescentes e Sexo
A adolescência é marcada por problemas bem típicos: busca pela independência, formação da personalidade, preocupação com o futuro. Mas nenhum deles possui mais força do que a sexualidade.
Faço parte de um grupo voluntário focado em educação sexual. O projeto é um dos muitos braços da Aliança Beneficente Universitária (Abeuni), entidade da qual faço parte há 8 anos. Estou escrevendo sobre ela porque quero comentar um caso.
No domingo, na roda de conversa com os adolescentes, um dos garotos confessou que queria ter filhos com 17 anos. Eu fiquei impressionado. Os outros todos falaram idades mais próximas dos 25 anos, mas ele ficou com os 17. Só para ressaltar, ele tem atualmente 15 anos, o que em outras palavras quer dizer que ele pretendia ter o filho em 2 anos.
Ele não parecia ter consciência dos problemas relacionados a paternidade. Quando se fala de sexo é natural os adolescentes verem tudo como uma brincadeira. Afinal, sexo tem que ser divertido. Agora quando comentamos de ter filhos, eles costumam parar para pensar. Menos esse rapaz.
Será que chegaremos em um ponto em que eles não irão mais se preocupar? Espero que seja um caso pontual. Ter filhos hoje em dia ficou tão fácil, afinal é só "dar para a vó criar", como disse outro adolescente.
Tomara que não seja uma tendência social. Tomara.
Como revolucionar a educação
A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília recebeu hoje um comentário muito interessante do jornalista Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil. Levou-me a refletir sobre alguns pontos:
Até onde os interesses pessoais atrapalham o desenvolvimento da educação? A revolta da UnB foi motivada pela corrupção, abuso de poder do ex-reitor Timothy Mulholland ao desviar o dinheiro da pesquisa.
E os interesses políticos? Ocupação da reitoria e freqüentes greves no ensino público não podem ser consideradas pontuais. Os alunos de Brasília fizeram uma assembléia para discutir se continuariam lá e a reunião demorou mais de três horas. Discutiram diversos outros pontos junto com a decisão de permanecer ocupando. Depois ainda cobram eficiência do serviço público.
Para quem diz que os alunos só querem aparecer, eu concordo. Se fossem movidos realmente pelo interesse revolucionário de melhorar o ensino, não pediriam para revezar os alunos da ocupação. Cansaço e fome não desmotivaram os companheiros na ditadura, mas pelo jeito desmotivam os filhinhos de papai.
Sou contra esses tipos de revoltas. Concordo que para muitos problemas do nosso país não existe espaço para conversa, mas os injustiçados não sabem brigar. Brigam por interesses próprios ou por motivos que não justificam.
Sou a favor de criar soluções com o que se tem nas mãos. Ainda mais no Brasil onde não se pode contar com a ordem correta das coisas. Você confia que a educação irá receber mais verbas? Eu nunca acreditei nisso. O que fiz na época da faculdade? Participei da criação de uma empresa júnior, onde pude aprender e treinar a minha profissão.
Somente com boa vontade poderemos vencer a má vontade dos políticos. Se os professores são desmotivados, é errado os alunos se ajudarem para aprender? Se não tem dinheiro público para pesquisa, porque recusar com tanta convicção o dinheiro das empresas privadas?
A educação vai ser revolucionada quando perceberem que aprender é o objetivo principal.


