Quem disse que ENEM é vestibular?
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma prova criada pelo Ministério da Educação do Brasil no ano de 1998 como uma ferramenta de avaliar a qualidade geral do Ensino Médio no país.
Vestibular designa o processo de seleção de novos estudantes empregado pelas universidades.
Essas definições foram retiradas da Wikipedia. Alguém discorda? Eu não. Então porque inventaram que um exame que avalia a qualidade de ensino pode ser usado como método de seleção de candidatos?
Tem alguma coisa errada aí. A minha opinião é que o governo quer valorizar o ENEM e para isso quer fazer dele um vestibular. Mas nem nesse sentido eles foram capaz de criar uma lei coerente.
Existe uma brecha nesse projeto de lei que faz do ENEM ter a mesma importância de sempre: se alguma universidade achar necessário, pode fazer uma prova complementar para a seleção de seus alunos. Isso já não era o vestibular como sempre foi?
Os caras só trabalham três dias por semana e ainda fazem tudo de qualquer jeito? Sempre que eu tento entender as decisões de nossos governantes, só consigo ter mais certeza de que nosso país não tem jeito.
A força da criação coletiva
Estou fazendo mais um curso sobre Web 2.0, a distância pela FGV Online. Nele estamos discutindo a qualidade da informação em ambientes coletivos, como blogs e a Wikipedia. Resolvi trazer um pouco dessa discussão para cá.
O conteúdo criado coletivamente e descentralizado já foi questionado pelo seus erros, mas poucas pessoas questionam os erros da produção centralizada e profissional.
Há uns dois anos atrás, a revista Nature fez uma pesquisa comparando os mesmos tópicos na Britannica e na Wikipedia. A surpresa (para alguns) é que a quantidade de erros nas duas eram equivalentes. Eu atribuo isso ao fato de que na mesma proporção que tem as mais diversas pessoas escrevendo, existem as mais diversas pessoas corrigindo. Leigos e profissionais se misturam para lapidar a informação da melhor forma.
Outro exemplo de erro nos meios mais tradicionais foi o recente caso da Globonews. Eles anunciaram que um avião havia caído, mas logo depois a informação se mostrou equivocada. Esse pequeno tempo, em torno de 30 minutos, foi o suficiente para que vários outros meios de comunicação também dessem a falsa notícia.
O efeito viral que se vê nos blogs também existe nas televisões e jornais. Uma fonte confiável gera conteúdo para outros, ganhando ou perdendo prestígio com isso. O modo de se produzir informação continua o mesmo, só mudou a gestão.
O aumento da velocidade da internet e das capacidades de armazenamento derrubaram o monopólio sobre o meio de comunicação. Antes dependia-se de um jornal impresso, uma revista, um livro, um canal de televisão ou emissora de rádio para se transmitir a notícia. O custo para se levar a mensagem para o público era alto e as empresas gerenciavam isso.
Hoje, qualquer pessoa com acesso a internet consegue transmitir informação. Só falta aumentar a penetração no público para deixar a informação ainda mais livre.
Recall de borracha escolar? Aonde o mundo vai parar?
Absurdo. É a primeira coisa que se pode pensar ao ver as notícias de recolhimento da borracha escolar TK Plast da Faber Castell. Não consigo acreditar que uma empresa conceituada por sua qualidade seja capaz de colocar no mercado um produto tóxico. Ainda mais voltado para estudantes.
Eles retiraram do mercado, anunciaram na televisão e jornais o perigo de usar a borracha e garantiram não usar mais o produto na sua fabricação. E aí? Isso resolve?
Se pensar em quantos anos a Faber Castell disponibiliza essa borracha no mercado, o problema demorou para ser resolvido. E eu acredito em negligência por parte da empresa. A tal substância tóxica deixa as borrachas mais macias. O Brasil não possui uma legislação específica sobre esse ingrediente (ela vigorará a partir de abril). Some isso a uma concorrência de mercado e pronto: o uso excessivo da substância foi proposital para melhorar a preferência de público. Alguém duvida disso?
Se não pudermos mais confiar na boa reputação de uma indústria, como poderemos escolher nossos produtos? Uma coisa é você desconfiar de uma promoção nos supermercados e verificar que o produto está prestes a vencer. Outra é você ter que desconfiar da composição química do que você compra.
Blu-ray ou HD-DVD?
Agora que temos a TV Digital todos já sabem o que é alta definição, mesmo que não ainda nem tenham visto. Por isso dedico esse posto para comentar uma briga pelo novo padrão de filmes domésticos: Blu-ray ou HD-DVD?
Esses são os novos formatos que vão substituir o DVD. Eles conseguem armazenar mais informações (ou seja, filmes em alta qualidade) e possuem novos padrões de segurança. Em outras palavras, uma evolução natural.
O problema é que são dois formatos diferentes, ao contrário do DVD que reinou sozinho. As diferenças não são tantas e se resumem a detalhes, mas mesmo assim existe uma pequena guerra para saber qual deles vai dominar o mercado e se tornar o padrão.
A briga pelas distribuidoras já está praticamente definida. Cada uma assumiu um lado e já está defendendo o seu formato. A LG já lançou um aparelho que lê os dois formatos, portanto para o usuário final acho que essa vai ser a solução. Então, cadê a guerra? Nem sei.
Essa luta por formatos é uma coisa que me incomoda muito quando se trata de tecnologia. Quem compra um filme, quer ver o filme. O consumidor tem que estar preocupado se é uma comédia ou aventura, sem tem legenda na língua dele, se vai ter algum documentário explicando os efeitos especiais. Ele quer se divertir e não se preocupar se o filme vai funcionar no aparelho que ele comprou.
Mesmo assim, as indústrias não estão nem aí pro consumidor e provavelmente essa briga vai longe. Para mim ela acabou no momento que vi o preço dos novos DVDs. Algo em torno de 120 reais cada. Depois não sabem porque as pessoas consomem tanto filmes piratas.
Se quiser saber mais sobre as diferenças, recomendo esse artigo do Cássio Lima pro Clube do Hardware. Apesar de ser um artigo técnico, tem uma leitura bem agradável para leigos e traz todas as informações (inclusive a diferença de espaço entre as trilhas de gravação). Segue o link: http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1325
TV Digital não funciona
Agora acredito nisso mais do que nunca: a TV digital brasileira é uma porcaria.
Durante esse final de semana passei por vários lugares que estavam tentando exibir a transmissão digital. Digo "tentando" porque nenhuma delas me convenceu.
Primeiro, porque havia chiado. Sim, transmissão digital também tem chiados. Prometeram para você que não teria mais fantasmas? Isso é verdade. Fantasma não tem, mas ela fica cheia de quadriculados e a imagem trava toda hora. Simplesmente não dá para assistir.
Outra é a qualidade da imagem. Se a transmissão não é própria para alta-definição, tive a leve impressão de que fica pior do que a imagem normal. Cheguei a ver inclusive uma transmissão em formato quadrado (na tela widescreen com duas barras pretas na lateral).
Os motivos da qualidade podem ser vários: recepção inadequada por parte das lojas, má preparação dos programas por parte das redes ou até mesmo baixa potência de transmissão do sinal. Não sou técnico, mas como consumidor, não compraria e nem usaria se ganhasse de graça.
Último apelo: Quero qualidade na programação, não na imagem.
