A força da criação coletiva
Estou fazendo mais um curso sobre Web 2.0, a distância pela FGV Online. Nele estamos discutindo a qualidade da informação em ambientes coletivos, como blogs e a Wikipedia. Resolvi trazer um pouco dessa discussão para cá.
O conteúdo criado coletivamente e descentralizado já foi questionado pelo seus erros, mas poucas pessoas questionam os erros da produção centralizada e profissional.
Há uns dois anos atrás, a revista Nature fez uma pesquisa comparando os mesmos tópicos na Britannica e na Wikipedia. A surpresa (para alguns) é que a quantidade de erros nas duas eram equivalentes. Eu atribuo isso ao fato de que na mesma proporção que tem as mais diversas pessoas escrevendo, existem as mais diversas pessoas corrigindo. Leigos e profissionais se misturam para lapidar a informação da melhor forma.
Outro exemplo de erro nos meios mais tradicionais foi o recente caso da Globonews. Eles anunciaram que um avião havia caído, mas logo depois a informação se mostrou equivocada. Esse pequeno tempo, em torno de 30 minutos, foi o suficiente para que vários outros meios de comunicação também dessem a falsa notícia.
O efeito viral que se vê nos blogs também existe nas televisões e jornais. Uma fonte confiável gera conteúdo para outros, ganhando ou perdendo prestígio com isso. O modo de se produzir informação continua o mesmo, só mudou a gestão.
O aumento da velocidade da internet e das capacidades de armazenamento derrubaram o monopólio sobre o meio de comunicação. Antes dependia-se de um jornal impresso, uma revista, um livro, um canal de televisão ou emissora de rádio para se transmitir a notícia. O custo para se levar a mensagem para o público era alto e as empresas gerenciavam isso.
Hoje, qualquer pessoa com acesso a internet consegue transmitir informação. Só falta aumentar a penetração no público para deixar a informação ainda mais livre.
Altos e baixos dos serviços da internet
O que hoje é um sucesso enorme na internet, em poucos meses pode virar uma simples lembrança. Sou usuário desde que a rede mundial chegou ao Brasil e já vi muitos serviços nascerem e morrerem. O mais interessante é que as novidades de hoje são reedições de fracassos do passado.
O exemplo mais conhecido é o do ICQ. Criado para saber quando os amigos estavam online, virou um grande sucesso e um programa essencial por vários anos. Eu atribuo a falência do ICQ a sua própria evolução. Ele saiu de cena quando inventou a opção de ficar invisível. No começo era interessante, mas depois que todos começaram a se esconder, ninguém encontrava mais ninguém para conversar. Nessa época a Microsoft criou o Messenger que não tinha como se esconder e ainda trazia opção de colocar aqueles ícones bonitinhos nas mensagens. Rapidamente se tornou preferência, já que lá se encontrava os amigos. Hoje o Live Messenger também traz a opção de invisível e eu já percebi uma redução no seu uso. Pode ser apenas uma impressão minha, mas me acostumei a conversar mais pelo GTalk (que por coincidência só tem as opções livre e ocupado para o status).
O orkut está indo para o mesmo caminho. Antes ele servia como o principal fofoqueiro da rede brasileira, mas era divertido. Agora existem várias funções para impedir os fuçadores de plantão e está se tornando uma ferramenta chata.
O twitter é outro serviço simples e direto que ao meu ver tem grande potencial. Ele é um blog de pequenas proporções e serve também como um chat em ritmo mais lento, sem precisar da atenção total para conseguir acompanhar. Vamos esperar que ele não crie métodos que atrapalhe o livre tráfego de informações.
Outra mania, os blogs, são usados hoje em dia como construtores de sites. Quem se lembra do Geocities? Quando lançou todas as pessoas queriam ter sua página pessoal. O blog só aprimorou essa vontade com uma interface mais fácil de se atualizar. Aqueles que acham que a internet é uma fonte de dinheiro e é só ter um site para receber sua fatia do bolo, desistem antes de um mês. Isso acontecia na era do Geocities e continua na era Blogger.
Outro exemplo que sempre foi um fracasso são os fóruns. Ninguém percebe que são poucos os que entram todo os dias para responder ou discutir um tema? E ainda insistem em colocar fórum em todos os lugares. As comunidades do orkut são ótimas insígnias ou repositório de links, não locais de discussão. Ainda existem os guerreiros, como o Yahoo Respostas que inventou um sistema de pontuação para seus usuários. Deu certo até eles perceberem que não ganhariam nada além dos pontos.
Não poderia terminar o post antes de falar dos fotologs. Viraram sucesso no momento em que as fotos digitais estavam surgindo. No começo, quem não tinha câmera digital apelava para o scanner, só para não ficar de fora. As bandas foram aumentando, o volume de fotos também e os serviços sendo substituídos. Se antes era apenas uma foto por dia, agora a briga é por que oferece mais espaço. O problema é que o volume de fotos ficou muito grande. Quem viaja para a praia acaba publicando todas aquelas fotos iguais do mar. Daqui a pouco essa coisa de volume pode virar uma desvantagem.
Acho interessante perceber que a própria melhoria de um serviço pode ser a responsável pela sua decadência. Só não consigo entender como aprimorar algo pode fazer ele perder a preferência. Talvez por uma falta de capacidade em entender as verdadeiras vontades do usuário.