Livre.blog.br Opiniões de Sávio Ladeira

29ago/081

O usuário é o sócio do seu negócio

Se ainda tem muita gente que confunde Web 2.0 com Ajax, eu diria ainda que tem muita gente que confunde internet com tecnologia. Foram esses novos conceitos, como a web 2.0 e os modelos de cauda longa, que mostraram ao mercado que a internet é uma mídia totalmente diferente do que já se viu.

Vendo pelo campo da comunicação, é uma mídia que mistura emissor com receptor. Traz feedbacks imediatos e muitas vezes o feedback se torna fonte de informação. É o caso da Amazon, onde a opinião dos usuários faz parte da descrição dos produtos.

Essa valorização do conteúdo gerado pelo usuário parte da desconfiança com os meios tradicionais de divulgação de informação. Uma empresa sempre vai ressaltar os pontos positivos do seu produto, mas um usuário vai avaliá-lo imparcialmente. Acredito que os modelos de negócio precisam considerar essa experiência do usuário como força para o comércio.

Outro post baseado no curso de Web 2.0 da FGV Online. Provavelmente o último deles, já que o curso encerra semana que vem.

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14ago/081

A web tem que facilitar o uso para liberar a criatividade do internauta

A inovação da web 2.0 é muito difícil de ser estudada. Inclusive, grande parte do material que se encontra na internet é sobre a tecnologia por trás da revolução. Sobre as mudanças de interação social vê-se mais especulação e admiração do que análise e debate.

De um lado estão os desenvolvedores buscando inovar cada vez mais. Criam novos sistemas, integram aplicativos, ampliam recursos. Eles seguem uma linha de evolução definida e planejada. Já possuem uma visão própria de como vai ser a próxima evolução da internet.

E do outro lado estão os usuários. Não os usuários comuns, mas aqueles que dão utilidades criativas para as ferramentas, que dão destaque às criações dos desenvolvedores. Foi o caso dos blogs, meros diários pessoais que se tornaram poderosas ferramentas nas mãos dos jornalistas amadores. Estes super usuários estão sem rumo. Eles não entendem direito as possibilidades tecnológicas e ficam do lado de fora, só esperando o novo lançamento.

Essa integração é dificultada pela linguagem. Os usuários não falam a mesma língua dos desenvolvedores, o que limita muito a discussão entre eles. Não são grandes empresas que lançam as novidades, mas pequenos desenvolvedores que muitas vezes trabalham sozinhos. O próprio Linux, revolução em sistemas operacionais, não abre grande espaço para criação de artistas que poderiam deixá-lo mais bonito que o Mac Os. Esses artistas não saberiam nem por onde começar.

Como unir a vontade e criatividade dos usuários com o conhecimento técnico dos desenvolvedores? Eu arriscaria dizer que é o grande desafio da nova web. E começaria dizendo que o futuro tecnológico tem sucesso quando facilita ao máximo. Isso libera a criatividade de quem não entende a tecnologia. O wiki já nos mostrou isso. Vamos seguir esse caminho?

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11ago/082

Direito autoral é coisa do passado

A existência do direito autoral tem muita relação com dinheiro. Ela existe para proteger lucros e evitar que outras pessoas lucrem com o trabalho de terceiros. Lógico que não é somente isso, mas a parte financeira tem grande parte na sua concepção.

Penso que precisamos buscar novas formas de arrecadar dinheiro com as obras culturais. Todo o processo de produção cultural lucrava apenas no final, na distribuição. Mas hoje em dia o custo para se distribuir uma obra é muito menor. Não justifica mais cobrar 30 reais por um CD que poderia ser distribuído por muito menos. O problema é que ficou difícil bancar todo o processo com o recente barateamento da distribuição.

A indústria cultural deveria distribuir a arrecadação por todo o processo ou buscar novas formas de pagar a produção. As editoras cobrariam do autor a produção do livro, as gravadoras teriam participação sobre os shows de seus músicos, aumentariam o merchandising em produções televisivas.

Para vencer a pirataria na internet é preciso mais criatividade do que guerra. O próprio crescimento do Creative Commons prova isso. Tem muita gente mais interessada em ser lida/vista/ouvida do que ficar presa às limitações dos direitos autorais. Imagina uma série como Lost distribuída em Creative Commons com alguns personagens usando roupas de uma marca patrocinadora? Tenho certeza que essa marca não iria ligar tanto para a distribuição pela internet.

Esse post foi inspirado pelo curso de Web 2.0 que estou fazendo pela FGV Online.

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30jul/083

Nem os profissionais entendem o que é a internet

Outro dia estava assistindo ao Roda Viva na TV Cultura. O convidado era o presidente do iG Caio Túlio Costa e o assunto era ética no jornalismo. Obviamente abordou comparações entre as mídias tradicionais e a internet. Mais detalhes você pode ver no site do Roda Viva.

O que eu quero comentar aqui é a relação que os grandes jornalistas possuem com a internet. Os entrevistadores eram os principais nomes do jornalismo. Mas eles não pareciam entender o alcance que a web possui. Ficavam abismados com as declarações do presidente do iG e pareciam incrédulos.

O ponto alto da entrevista foi quando Caio pediu para os entrevistadores somarem a tiragem das maiores revistas brasileiras: Veja, Época, Caras etc. Se cada revista fosse lida por cinco pessoas, não chegaria ao alcance que tem a internet no Brasil. E os poderosos do jornalismo ainda achavam que a internet era uma coisa de elite e para poucos. Não perceberam que já é uma realidade.

Se nem eles entendem a abrangência, imagina se fosse falar na revoluções da web 2.0, internet pelo celular, blogs com maior penetração que os jornais. São poucos os que estão preparados para viver a novidade e que entendem o que está acontecendo. Eu mesmo entendo muito pouco, mas esperava que os chefões da mídia tivessem maior consciência. Pelo visto, me enganei.

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18jul/082

O uso fez a web 2.0

A chamada revolução da web 2.0 só chamou a atenção porque a internet começou a ser usada. A banda larga propiciou usos mais intensos da rede e trouxe real utilidade para as ferramentas.

O próprio RSS vem de uma tecnologia que fracassou, a Push, provavelmente porque as pessoas não queriam gastar sua banda recebendo informações aleatórias. Era melhor procurar por conta própria. Tem um texto de 98 que exemplifica isso: Meu trauma com a tecnologia Push, de Muttley Bates . Tecnicamente não mudou muita coisa, mas agora o usuário pode disperdiçar sua banda, para economizar o seu tempo e não ter que navegar por todos os seus sites preferidos.

Lembro quando surgiram os blogs, fotologs e até mesmo a tecnologia wiki, eu achava que não iria para frente. Não eram muito diferentes dos sites pessoais ou outras tecnologias antigas. O conceito era praticamente o mesmo, só apresentavam interfaces mais fáceis de utilizar.

Não considerei que o típico usuário de internet hoje ficaria conectado 24 horas sem limite de banda. Transmissão de arquivos que duram dias se tornou possível. Publicar todas as fotos da viagem também. Até rádio se escuta pela rede e com possibilidades incríveis. Quem não conhece, visite hoje mesmo a Last.fm.

A sucesso da nova web se deve exatamente ao usuário. As ferramentas sempre melhoraram e isso não é nenhum fenômeno. Mas o uso que se faz hoje em dia ainda impressiona muita gente.

Esse post foi inspirado pelo curso de Web 2.0 que estou fazendo pela FGV Online. Na verdade, foi praticamente copiado, mas é que estou dedicando bastante do meu tempo livre para esse assunto. Sempre que surgir alguma discussão interessante por lá, trago ela para vocês aqui.

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